28 de março de 2016

Gratidão





Presente recebido




 Para os japoneses nenhum favor ou gesto de gratidão pode passar em branco, desse modo se você presenteia alguém com certeza virá algo como forma de retribuição ao presente recebido. Entendeu? Não né, nem eu entendo as vezes porque é muita formalidade, e estamos no país das formalidades.

Um colega de trabalho esperava ansioso pela chegada da filha que estava com data prevista para nascimento no começo do mês de março e eu sabia o quanto eles desejavam esta criança.  Até ai normal, e mais normal ainda era eu presentear meu colega com algo para a filha que já estava chegando, porque para nós brasileiros o ato de ganhar  um presente não quer dizer que necessariamente devemos dar um outro como forma de agradecimento, no máximo dizemos muito obrigada/o sorrimos e pronto. E tem ainda quem diga que deu por que quis eu não pedi nada! 

Conversando com amigos de outros países descubro que talvez somente os brasileiros não tem o costume de agraciar a pessoa que presenteou-nos qualquer coisa. Os europeus preferem agradecer com algo  feito a mão como tortas, compotas, doces, pasta etc. No Vietnã sempre vem um prato de alguma especialidade regional. Ai alguém vai dizer que faz também , que na minha casa sempre fazemos algo para agradecer o mimo recebido. Gente não estou falando de simples favores e presentes , porque dar um pedaço do bolo que fez para o vizinho ou colega não quer dizer que você esta agradecendo a ele por ser o seu vizinho ou quem sabe pedindo desculpas por você ser a vizinha dele.

No Japão isso é quase uma obrigatoriedade, recebeu deu, deu vai receber de volta, não deu não recebe. Isso me faz lembrar o White Day lembram?.


Imagem/Monica Maeda



E o presente que vem é igual para todos que o presentearam, existem infinitas lojas de presentes para este tipo de ocasião, ocasião se entende o ato de presentear a inumeras pessoas ao mesmo tempo, seja ele casamento, nascimento, despedida de trabalho quando a pessoa para de trabalhar e muito mais. A embalagem é sempre linda, eu vejo como eles fazem e parece muito fácil mas não é não, coisa de japa entendem? 

Tem um papel branco por cima da embalagem com o nome da pessoa que esta retribuindo o presente. Esse tipo de embalagem com o nome neste papel branco não serve para qualquer presente mas sim somente para quando a pessoa casou, filho nasceu, ou algum evento onde a pessoa recebeu presentes e agora tem que retribuir um por um. Eu recebi este ai da foto, eu e todos que deram qualquer coisa para a neném, mas o valor para dar e receber  é mais ou menos  fixo e varia em torno de 3mil a 5mil yen, ou seja, cerca de 30 a 60 dólares .


Imagem/Monica Maeda

E olhem o que veio, um catálogo de comida e fruta, pode-se escolher somente 1 item, a escolha é difícil talvez mais difícil do que escolher o que comprar para presentear a filha do amigo.

Mas qual é a moral disso tudo? A moral é aquela de que eu recebi, estou muito feliz por terem lembrado de mim, mas estou retribuindo o presente ou o favor então eu não te devo nada e assim ficamos quites, você me deu eu devolvi, assim ninguém fala que deu e não recebeu ou que o fulano foi ingrato contigo. 

A moral é aquela de que você recebe o que dá.

22 de março de 2016

Limpeza de carro nos postos de gasolina no Japão



Limpeza de carro no Japão






Imagem/Monica Maeda


Todo brasileiro gosta de lavar seu próprio carro mas não simplesmente por gostar mas porque sai mais barato fazê-lo do que lavar fora. Isso já não é o caso no Japão porque aqui não sai tão caro mas o prazer de desfrutar destas regalias em postos de gasolina  nos faz querer isto. Na imagem acima tem uma escada pequena, lugar para  jogar fora o lixo e o aspirador de pó que é a maquina em azul. 

Vamos explicar como funciona. 

No Japão é muito comum carros grandes de 8 pessoas, são veículos altos de difícil acesso sem uma escada para limpar a parte de cima e pensando nisso os donos de postos de gasolina deixam essas escadas livres para os clientes usarem. Não precisa ir ao posto para abastecer você pode simplesmente querer passar somente um aspirador de pó  e para isso basta colocar uma moeda de 100 yen ( a grosso modo 100 yen vale 1 dólar, na verdade 1 dólar esta cotado hoje a 111,95 yen ) e dá para usar por 5 minutos, eu geralmente gasto 10 minutos então gasto 200 yen.

Para lavar pode-se usar as maquinas com jato ou pedir para lavarem com xampu especial pelos staff, o valor muda também, e para secar ou pagamos para o staff ou podemos fazê-lo usando as toalhas que estão a disposição como mostra a imagem abaixo. Nesta caixa elas estão dispostas em toalha para secar a lataria, secar os vidros e também passar no interior do veículo. Lembrando que as toalhas são gratuitas e depois que usar você as devolve em outra caixa. Tem torneira e balde caso você não lave na máquina e queira apenas passar um pano tudo bem, é só pegar o balde e toalha.


Imagem/Monica Maeda

Pode usar quantas quiser e usar o tempo que for necessário para limpar o seu carro. Usamos do bom senso, caso esteja cheio ou tenha uma fila esperando, procuramos apertar o passo para terminar o mais breve possível. 

Carro lavado, aspirado e seco vamos aos pneus, afinal eles também tem o seu mimo por aqui, o famoso pneu pretinho.


Imagem/Monica Maeda



Lembrando que a escada, as toalhas e o pneu pretinho são gratuitos, cortesia da casa, estão ali para uso de quem queira dar uma limpada na caranga.

Caso não queira fazer por si, é só pagar para o staff e esperar na sala de espera para os clientes com ar condicionado, sofá e televisão. Você decide!

19 de março de 2016

Panificadora japonesa

Imagem/Monica Maeda


Confesso que também sou da opinião de que comemos primeiro com os olhos e os japoneses sabem bem como nos pegar pelos "olhos". As panificadoras são cheirosas, deliciosas e aconchegantes. Estão sempre preocupados em aprimorar o cardápio porque o paladar japonês é exigente, eles reclamam quando não vem algo novo, não querem sempre o mesmo, apesar de  que este mesmo seja delicioso, por força o comércio todo se vê obrigado a rebolar para tentar satisfazer os comilões e eu me incluo nesta lista.


Já comi pão de batata doce, banana, abóbora, chocolate, melão, quinoa...


E o mais interessante nestas casas de pães é que quando compramos algo podemos comer ali mesmo e comprar um café e tomar este café quantas vezes quiser pagando apenas por um e a água é de graça, aqui em quase todos os estabelecimentos de comida a água é gratuita acho que já falei para vocês.

Imagem/Monica Maeda

Podemos comer dentro ou fora, a paisagem que se mostra dá vontade de comer e não parar ou de ficar ali jogando conversa fora com amigos por horas e as crianças também, aliás tudo aqui é feito pensando nelas e na sua segurança.



Imagem/Monica Maeda
Os bolos são na maioria vendidos em pedaços porque presumi-se que será para um café com bolo e pão então leva-se um pouco de cada, gordices total e dieta aqui não rola caso esteja passe longe.

Imagem/Monica Maeda

Imagem/Monica Maeda

A arquitetura chama a atenção dos "olhos" e lá vamos nós comprar um pãozinho, um dois três...
Em todas as estantes podemos experimentar um pedaço do pão para saber se é do nosso gosto ou não, tem quem coma somente as amostras e vá embora mas eu não vou tecer comentários a respeito destas criaturas porque elas são minoria( bem que gostaria). O pão francês até tentam mas este é nosso e ninguém tira, não adianta porque eles não fazem tão bem quanto os brasileiros. Pão com recheio de  creme é para os fracos, este é o trivial e como nestas casas não procuramos o trivial então os de creme ficam em segundo plano e tem até pão sabor café, juro! Mas café para mim é só líquido. 


O lado ruim de sempre modificar o cardápio é o de não encontrar o teu preferido na próxima vez , isto é comum aqui e não somente nas panificadoras mas em restaurantes e mercados, a exigência tem o seu preço.


Quando vierem ao Japão não deixem de entrar em uma dessas casas de pães, eu recomendo porque é uma  das melhores gordices que temos por aqui.





17 de março de 2016

Ijime silencioso


Meio comum entre os jovens japoneses, mas não somente entre jovens mas também entre os mais velhos e  quem deveria dar o exemplo acaba por participar disto que de engraçado nada tem.



Conversei com homens jovens na faixa de 23 a 40 anos sobre o bullying que praticam e confesso que não foi muito fácil iniciar a conversa porque na cabeça deles isto não soa tão mal, apenas como forma de "educar" o kohai ( o mais novo da turma , da escola ou do trabalho). No geral pensam que para se aprender  se não for pela dor será pela dor. Hum Alo?!


Ouvi então frases tipo " Se não insistir em fazer a pessoa se defender ela não se esforçará". O que isto significa no pensamento deles? Significa que assim como foi recebido deverá ser dado a outro que vier. Vejo muito que logo que entra alguém novo primeiro notam a idade, casado/a, cabelos (careca, calvo) aham isso mesmo , os japoneses em grande parte são calvos sim mas acreditem eles não aceitam, ou seja, não se aceitam. Se uma pessoa que passa dos 40 anos e ainda não casou isso soa estranho e claro , motivo de algumas piadas. Vistoria feita comecemos o ijime (bullying) que obviamente na visão da maioria isto não significa judiar, fazer ijime, bulinar e sim uma forma de aprendizado mais dura, mais rígida e menos amigável se assim podemos dizer. Uma pessoa mais retraída e tímida é sempre a bola da vez, será sempre julgada pelo que não falou e terá sempre quem ria do seu silêncio, que eu diria quem cala não é que consente mas tem no seu Mapa natal um Mercúrio elevado.



Quem é o mais esperto? quem faz ou quem não revida? Já vi também que para poder fazer parte do grupo você terá que praticar algo contra alguém para ser aceito. O grupo tem um líder, ele não faz, não suja a mão ( como na astrologia, todos estão a serviço do Sol),  ele é o mais forte mas não em força física porque é sempre o primeiro a se esconder atrás do seu escudo humano, escudo este gerado por comparsas que se sujeitam a receber ordens de graça de uma pessoa que não acrescenta nada ao invés de seus pais que não sabendo o que os filhos fazem julgam estar educando da melhor maneira possível. Uma das cenas que presenciei e me marcou foi quando o líder, um fumante que não comprava o seu próprio olhou para o seu escudo e falou: o fulano ( este fulano não é fumante) estou vendo que só tenho 1 cigarro e vou precisar de mais. Aqui não está inserido a palavra compre , mas se entende e todos entenderam que aquele fulano deveria sair correndo para comprar e com o seu próprio dinheiro. E ele foi!


Podemos ver o sorriso estampado, aquele sorriso largo de orelha a orelha quando são prontamente atendidos e também já presenciei o olhar de ódio e rancor por terem-no desafiado. A humilhação é a primeira a se fazer presente na roda e o humilhado continua ali parado e rindo de si mesmo com todos e aí mais risos. Caso alguém pergunte algo sobre os risos a resposta vem em coro: não sei é o fulano aqui que está rindo! Não se assume o que fez ou quem fez, é sempre culpa do fulano.


Alguns me responderam que esse tipo de atitude é coisa de gente antiga, dos mais velhos que antigamente era assim no Japão e isso fez e faz parte da cultura deles, o de fazer sofrer para aprender. As mulheres foram as mais afetadas por esta filosofia de vida, sim porque isto virou uma filosofia de vida, uma aceitação de como viver melhor, um paradigma, e ainda hoje podemos ver os maridos que acompanham as esposas ao mercado ou ao médico e eles ficam dentro do carro grudados ao celular enquanto elas estão com a ninhada correndo lá dentro do consultório ou mercado e o Boss no seu conforto dentro do carro com ar condicionado e seu smartphone assim como podemos ver os que estão ali do lado, acompanhando, ouvindo junto mas eles ainda são minorias. 


Está enraizada, os mais novos falam que a culpa é dos mais velhos e os mais velhos afirmam mas a mudança requer tempo e mudança de paradigma e só quebramos um quando aceitamos um novo. E por enquanto seguimos o velho paradigma. 

15 de março de 2016

White Day









White Day não significa dia branco não. No Japão ele vem 1 mês depois do Valentine`s Day e literalmente significa comércio e começou com um comerciante que teve a "brilhante" ideia de fazer com que os homens presenteassem as mulheres com mashmallows como forma de retribuir os chocalates recebidos ficando assim conhecido como Dia do marshmallows e depois veio a ser White Day, ou seja americanizou o nome em alusão ao branco. Aqui tudo se copia mas esse Dia Branco não existe para os americanos porque afinal para eles o Valentine's Day é o dia dos namorados e pronto!






Nesta data as mulheres recebem doces dos homens que foram presenteados  no Valentine's Day. Da mesma forma que em fevereiro elas presentearam os queridos e deixaram de lado os não queridos agora é a vez de saber o quão queridas o são, claro que por educação eles são retribuídos mas nem sempre. E aí você percebe já que no próximo ano para aquelesinho você não deve comprar nada.

Geralmente no Valentine's Day as mulheres presenteiam os chefes e agora eles tem a difícil missão de retribuir. Por que difícil? Porque ele sozinho terá que retribuir todos os chocolates ganho no mês anterior e alguns até reclamam por ter que dispender de dinheiro para comprar doces sendo que eles preferem gastar dinheiro em pachinko ( casa com máquinas de jogos, slot game ).





Claro que também é o tempo de engorda da mulherada, afinal nós lutamos contra a balança o ano inteiro mas não resistimos aos doces maravilhosos que ganhamos. Diria que é um esforço prazeroso. Passamos dias comendo os doces e depois passamos meses comendo alface. Brincadeirinha viu!






O que importa é que gostamos de ganhar apesar de que fomos quase obrigadas a presentear primeiro e esta é a parte da qual não gostamos, e esse nós inclui as japas também pelo que converso com elas pensam o mesmo , ou seja, deveria ser numa data somente e deveria ser recíproco porque depois de passado 1 mês alguns esquecem de comprar e fica aquela coisa chata de você ter ou não que dar no próximo ano. Alguns são sinceros e falam que não podem ou não gostam de comprar então para esses eu diria que não compre na próxima , não desperdice tempo e dinheiro. 



E vamos aos doces que hoje eu voltei com sacolas e sacolas de doce para casa.




14 de março de 2016

Vizinho novo


Imagem/Monica Maeda
Um costume interessante e polido eu diria, em se tratando de japoneses tudo tem que ser na polidez para cada um ficar no seu quadrado.

Quando nos mudamos seja de casa ou apartamento uma das coisas polidas mas hoje não tão comum entre os jovens japoneses  é o de se apresentar a vizinhança e também dar alguma lembrança, uma toalhinha, doces ou chá. Os mais jovens não fazem com tanta frequência. Isto significa que eu sou o fulano de tal, a partir de hoje serei o teu vizinho então espero contar com a tua colaboração no tocante ao quadrado de cada um.


Como se apresentar aos seus novos vizinhos


O morador novo da rua da casa do meu sogro veio se apresentar e trouxe este doce, para falar a verdade não tinha um mas era uma caixa com 6, porque presumimos que toda a família vai degustar. Vizinhos japoneses não costumam ser barulhentos, e quando o são a vizinhança toda o discrimina e ai ele se torna a ovelha negra do bairro, até mesmo churrasco quando algum corajoso faz ele antes pede desculpas ao vizinho do lado pela fumaça ou cheiro forte e então para agradar ele leva um pedaço da carne. Dá trabalho ser educado aqui.

Eu quando mudei também fiz o mesmo e como a minha vizinha do andar de baixo era uma senhora de 80 anos e morava sozinha  falei então que caso ela precisasse de algo ou até mesmo ir ao mercado eu poderia levá-la no meu dia de folga, ou caso quisesse que eu trouxesse algo pesado da rua poderia fazer sem problema algum. A senhora espantou-se e logo disse: Mas eu não tenho dinheiro para te pagar!!! E eu me assustei também porque eu não queria cobrar apenas ajudar e meu marido interviu na conversa dizendo que os estrangeiros tem essa peculiaridade de ajudar sem ver a quem e que eu já fazia isso com o meu sogro de também 80 anos. Sim, os japas não costumam se ajudar, porque cada um no seu bendito quadrado, claroooooo que há as exceções e são a minoria obviamente. Por fim eu e a titia tivemos um bom convívio e saíamos algumas vezes para almoçar, jantar não porque ela jantava as 5 da tarde e saia para a caminhada de 1 hora religiosamente todos os dias. Ela mudou-se para um outro Estado e minhas tardes de folga não foram mais as mesmas sem a minha vizinha. E antes de partir veio se despedir e pedir desculpas por qualquer incomodo causado.

Para quem fará reforma na casa também se deve pedir desculpas pelo transtorno e barulho. Já perceberam que pedir desculpas por aqui é a primeira coisa que se aprende desde pequeno, não somente pedir mas se desculpar realmente por causar algum transtorno a pessoa que mora ao lado ou para quem será incomodado. Os japoneses não têm o costumo de bater boca ou brigar, preferem o silêncio, engolir muitas vezes uma pessoa mal educada do que se expor a um bate boca. O desprezo é sempre a melhor arma. 


Manter a política da boa vizinha é levada ao pé da letra pelos japoneses, tipo eu não te incomodo e você não me incomoda.

E você ai, como se comporta em relação ao teu vizinho?

10 de março de 2016

Renovação da habilitação

Imagem/Monica Maeda





Depende de como você se comportou no período de validade da tua habilitação você terá uma breve passagem no DETRAN japonês, mas caso você tenha sido pego em alguma blitz ou radar ou telefone você terá uma longa passagem.
Em Kanuma 鹿沼 運転免許センター ( Kanuma driving center ) podemos usufruir de um local tranquilo,limpo, com água ou chá grátis, microondas à disposição para esquentar um pão ou até mesmo obentou (お弁当), ou se a fome vier escolha uma das delícias no restaurante.
Imagem/Monica Maeda
Imagem/Monica Maeda
Imagem/Monica Maeda
Imagem/Monica Maeda


Para quem cometeu alguma infração terá  que assistir um vídeo com duração de 2 horas. Confesso que já assisti esse vídeo e não é que seja uma lavagem cerebral mas lava sim.
Este centro tem atendimento aos domingos também e sempre no horário da manhã , querem saber se paga? Claro amor! Nem o cachorro abana o rabo de graça .
Aí então podemos pensar que a água e o chá gratuitos e fazem parte ? Porque não? Sei lá !
Em todos os restaurantes a água e o chá são cortesia independente do que você coma.

Ao final do vídeo ganhamos alguns livros sobre direção defensiva e sobretudo inofensiva e se por um acaso bater o sono no meio do vídeo eu recomendo que não durma porque quem for pego dormindo terá que refazer todo o processo, pagar o selo novamente e voltar em outra data.
A renovação da habilitação pode ser feita  nas delegacias e o vídeo você agenda para assistir e depois de alguns dias terá que voltar na delegacia para pegar. Para quem vai ao Centro de direção como esse de Kanuma pode pegar a nova habilitação na hora, mas depois do bendito vídeo tá.
Dirigam com cuidado fofos.



5 de março de 2016

Parques no Japão - ll

Imagem/Monica Maeda





Em alguns parques do Japão temos museus também e isto seria um modo de atrair visitantes mesmo que o museu não seja tão interessante.



No caso de alguns, antes de entrar devemos tirar os sapatos assim como tiramos para entrar em casa e até mesmo em clínicas e  este é um costume japa e lhes digo que é um dos melhores costumes que se tem por aqui. 


Pegue a sacola devidamente colocada a mostra para os visitantes, tire o seu sapato e o coloque dentro. Percebeu né que andar com meia furada aqui é a maior furada para você. Fique atento!





 As sacolas são gratuitas e mesmo que sejam gratuitas devemos devolvê-las para que o próximo possa usá-la. Não desperdiçamos nada.

Entre então com o seu sapatinho na sacolinha e aproveite o passeio, geralmente quando se tira o sapato são lugares que eram casas de samurais ou de artistas e foram transformadas em museus ou trata-se de um espaço pequeno, não seria um Museu do Vaticano ou Louvre, passeio de alguns minutos e acaba. Este no caso era o Koubuntei (こうぶんてい - 子文帝 ) que fica na cidade de Mito no estado de Ibaraki. 








Como se trata de um local pequeno, estreito ou apertado fica difícil entrar com crianças e carrinho de bebê, e já que a criança não se pode deixar do lado de fora então deixamos o carrinho perto da entrada.




Ninguém cuida, fica ali até o dono voltar. Se alguém vai levar? Oras não me façam perguntas descabidas!
Andamos em fila indiana devagar, saímos do mesmo jeito que entramos com a sacola do sapato na mão e na saída a devolvemos  e colocamos o sapato e já imediatamente tem algum staff coordenando o movimento de entra e sai de sacolas e sempre o fluxo segue pela esquerda de quem vai e direita de quem vem como podem observar pela imagem abaixo. Quem entra vai pela direita e quem sai segue na esquerda. Não queiram fazer o inverso porque não conseguirão. Caso deixou o carrinho do lado de fora vá pegá-lo e continue o passeio e volte sempre!











3 de março de 2016

Os parques no Japão

Imagem/Monica Maeda




Dia de sol de inverno e pego minha super câmera e parto com destino ao Kairakuen Park com viagem de 2 horas de carro e dirigo Io. Como em todos os meus momentos de fotografar decido como e quando ir e falo na ultima hora, coisas de ariana com ascendente em escorpião. Mas eu tenho vênus em peixes na casa 5 então eu me apaixono e sonho com o momento da chegada ao parque e o trânsito não me estressa porque estou apaixonada, arianos apaixonados são afoitos e não estressados como dizem. Aliás vênus ia adorar os parques japoneses.









Lugar lindo, enorme e quando começar a florescer as cerejeiras  corro para lá novamente e nesta ida eu pude ver um pouco do que será o Festival de Sakura deste parque mas...
Tudo caro, estacionamento e comida cara. Estacionamento 500 yen e obentou (お弁当) 1000 yen e visto que estamos em fevereiro ainda faz muito frio e a comida estava gelada, bom não consegui comer. Eu não consigo comer com vento e nem comida gelada. Veja bem não estou falando de comida fria, e sim gelada e tem diferença viu.
Caminhando mais um pouco encontro as barracas de comida e doce e ali sempre tem um yakisoba que é indispensável em se tratando de comida quente e principalmente porque é feito na hora. Lembrando que o yakisoba é um prato típico chinês.



Yakisoba/Imagem Monica Maeda

 Comer com vento porque em se tratando de parque e em época de festivais fazemos picnic, isto é, levamos comida ou compramos por lá e sentamos na grama para comer. Tinha sol mas também tinha muito vento. Tem quem deite e durma afinal o parque é nosso, limpo e organizado como a nossa casa,  pelo menos a minha casa é.

kushidango/串だんご

Aqui a família deixa sua comida, bebida, bolsa e vai dar um giro ou está brincando com as crianças por perto. Muito comum este tipo de picnic em todo o país mesmo em época de inverno, os japoneses não usufruir de férias de 30 dias , isso nem pensar , aqui todo mundo folga no mesmo feriado e imaginem esses parques como ficam quando todos os japas resolvem sair de casa.

A caminhada é longa também , banheiro por toda a parte, filas também mas o Japão sendo uma ilha e os finais de semana ou feriados vamos para os mesmos lugares já saímos de casa sabendo o que vamos encontrar. Muita gente e muita fila. Buzina? Não, obrigada!
A paisagem compensa qualquer horinha de fila.

Kairakuen Park/Imagem Monica Maed




Kairakuen Park




Syougi/将棋

 Teve até um campeonato de syougi ( a pronúncia é xiougi ) tipo um xadrez , e os senhores estavam competindo com as mocinhas profissionais. Elas jogavam sozinhas eram 3 contra 20 ao inicio e depois foi diminuindo o número a cada derrota dos participantes. As meninas eram feras.



Syougi/将棋

Caminhou muito, cansou e bateu a sede? Não se preocupe porque tem bebedouro e lugar para sentar .
Bebedouro




Aqui a bebida esta do lado de fora, cliente se serve e paga .



E olha o que encontramos, o caixa!.
Quando a mercadoria esta fora ou em exposição quem compra escolhe e depois paga e o caixa está ali fora a vista de todos. 


Lembrando que cada um leva o seu lixo para casa caso tenha trazido, se comprou no parque pode jogar em uma das diversas lixeiras que estão na área de alimentação . Deu para entender? Os parques são a extensão da nossa casa, então se você vem e deixa o teu lixo jogado para outros recolherem é sinal de que faz o mesmo na tua casa. 


No Japão não existe gari, sujou limpe você mesmo! E assim sobra dinheiro nas prefeituras que ela investe em tampar os buracos nas ruas, iluminação, asfalto em todas as ruas porque não tem essa de entrar prefeito novo e ver se ele vai asfaltar ou não , aqui não asfaltou povo reclama e reclamação sobre o prefeito gera um mal estar enorme dentro do partido da cidade e do estado .


Agora deixo vocês com essas 4 japinhas que são as Princesas do Festival de ameixa de Mito e elas sorrindo apesar do frio que fazia, termômetro marcava 9 graus e tinha o bendito vento mas elas estão ali também para fazer fotos com os visitantes.

















































2 de março de 2016

Ficar rico no Japão. Será?!


Você está rica?





Muito comum me perguntarem se já estou rica. Quem nunca ouviu isso?
A maioria não sabe definitivamente o que é trabalhar de operário fora do Brasil. Claro que um operário no Brasil não consegue ter as facilidades que podemos encontrar em outro lugar como ter o carro próprio, casa própria sem morrer na dívida ou jantares 2 ou 3 vezes por mês. Mas isso não quer dizer que estamos ricos porque o rico não trabalha, não cumpre horário porque ele faz o seu horário, dorme a hora que quer e levanta quando bem entender e se ele não nasceu rico trabalhou duro para chegar lá ou soube usar bem de Júpiter e Saturno.

Engraçado como tudo encarece quando vamos ao Brasil, se o outro lado sabe de onde viemos inflacionam o preço como se andássemos cheios de dinheiro no bolso ou com vários cartões de crédito e a pergunta de sempre: você já está rica?

Eu não diria que seria uma falta de respeito, mas sim ignorância total. Ignorância literalmente!

Sim, poderia estar quem disse que não? Mas a pergunta sempre vem acompanhada de outra frase: você está cheia de dinheiro, está rica! A ignorância é dupla.

Temos uma rotina como qualquer outra pessoa, levantamos cedo,  viajamos as vezes de carro mais de 50 minutos para chegar ou de bicicleta para quem mora mais perto e ainda fazemos a ginastica matinal do lado de fora da fábrica  chova ou faça sol, com ou sem neve e trabalhamos de 10 a 12 horas por dia e muitas vezes o horário do banheiro é controlado porque 5 minutos de ausência significa 10 peças que faltarão na linha e essas 10 peças podem fazer falta no final do dia. Quando não, temos alguém atrás com um cronômetro verificando se está sobrando ou faltando algum segundo e no caso de sobrar segundos te empurram mais serviço. Isso não acontece em todas a linhas de trabalho, mas eu mesma já trabalhei num lugar onde faziam lentes de câmeras e presenciei isso várias vezes porque tempo no Japão é dinheiro e não se pode perder tempo.

Pagamos impostos, declaramos renda, pagamos seguros, aposentadoria e nada cai do céu, a não ser chuva, neve e vento.

Fazemos teste de habilidade mensalmente, somos colocados a prova e temos que provar que somos capazes e acredito que deveria ser assim sempre em todo lugar. Mas uma coisa tenho que dizer, de todo o esforço que fazemos somos recompensados no final do mês, entendeu? Não estamos ricos mas ficamos satisfeitos com o nosso trabalho quando recebemos porque sabemos que podemos ir até o mercado e comprar o que quiser para comer, porque não nos falta o básico, nossos impostos vemos nas ruas, nas escolas na iluminação pública, na segurança na limpeza das ruas e como já falei aqui o Japão não tem garis porque cada um leva o seu lixo para casa ou sujou limpou.


A riqueza das pessoas vem dessas atitudes, das pequenas, mas grandes atitudes de cuidar do que é seu e preservar o que é dos outros.





Para vocês que acham que estamos ricos porque moramos fora do país tentem fazer o seguinte:

- acordem as 6 da manhã e preparem o seu obentou (marmita) para comer na fábrica e o horário de almoço ou janta é de 45 minutos ou 1 hora depende da fábrica. Para quem tem filhos na escola deve acordar as 5:40 mais ou menos porque o ônibus escolar passa entre 6:00 e 6:15 e devolvem as crianças as 19:00.
- peguem a bicicleta com ou sem chuva coloque a mochila nas costas e pedale. Ou de carro que é mais confortável.

- quando tiver febre tente faltar e caso não consiga coloque uma máscara e vá mesmo assim porque aqui o espirito é de se esforçar como dizem os japas.

- faça a ginástica matinal com ou sem frio, chuva ou sol, ventou ou não.

- escute 5 minutos de reunião onde somente o líder fala e dá as ordens do dia.

- entre e trabalhe em pé as 12 horas com intervalos de 15 minutos as 15:00 e as 18:00.

- volte para casa as 21:00 ou para quem mora longe chega as 21:50 e pense que no dia seguinte será igual a hoje e será igual todos os anos em que viver aqui.

As folgas alternam, as vezes 3 vezes no mês as vezes 4 ou até mesmo 5 mas isso se a empreiteira não te chamar no teu dia de folga para vir trabalhar porque alguém faltou o serviço.

 As contas do aluguel, telefone, internet, seguro de vida, seguro de carro e gasolina são pagas dessas 12 horas todos os dias e um dia de gripe sem trabalho é um dia sem ganhar porque ganhamos por hora trabalhada.

Esta é a nossa rotina de ficar rico, acredito que é a rotina de milhões de brasileiros e eu te pergunto: Você está rica?




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