26 de maio de 2016

Como é um velório no Japão



Envelope para doação em velório japonês/ kouden bukuro


  Um dos poucos lugares no mundo onde a cultura vive entre duas religiões pacificamente é o Japão. Nascem xintoístas e morrem em cerimônia budista. Xintoísmo não é necessariamente uma religião porque não tem um livro um algo escrito de dogmas a seguir e como foi dito convive pacificamente com diversas religiões e deriva da adoração das formas da natureza, têm o Deus da Terra, dos Estudos, das Crianças , dos Animais, da Água, dos Universitários etc. O convívio com a natureza é importante para os japoneses, mesmo um rato ou uma cobra por mais peçonhenta que possa parecer  eles não matam e jogam fora e tem ainda quem diga que é um bom presságio ter uma cobra no jardim da casa. O sapo é adorado até dentro de casa em enfeites de todos os tipos e se usar um amuleto dentro da carteira quer dizer que o dinheiro que sair vai voltar porque o sapo em japonês pronuncia-se kaeru e o verbo voltar também é kaeru, ou seja, voltar o que sair da carteira, ou quando viajar quer dizer para voltar são e salvo, boa sorte.

Imagem/Monica Maeda/ Bujikaeru
Alguns passam e deixam a sua oferenda, o Japão é cheio de Fontana di Trevi , cada um que passa joga a sua moeda na esperança que venha em dobro.

Mas o motivo do post de hoje é sobre algo que não volta, é um ciclo que fecha para dar início em  um outro lugar quem sabe. Falava sobre os japoneses conviverem com o nascimento xintoísta e o falecimento em cerimonia budista. 
Velório no Japão seguem regras budista, geralmente cada família tem o seu templo preferido com o monge designado , alguns monges participam do velório da família toda e como ele é um convidado "pago" , o seu translado , a oração e permanência fica a cargo da família que o contratou. Diria que não custa pouco. Existe também a possibilidade de fazer uma cerimônia íntima somente para familiares e assim o custo diminuiria.


Formas de preparar velório no Japão 

 * Pode durar 2 dias ou quase 1 semana dependendo do calendário japonês e o dia em que foi o falecimento.

 * Chamar o monge fica a critério da família e também  o tempo para a permanência , despesas com translado, hotel, refeição e a celebração e qual o templo deverá ser chamado.

 * As empresas especializadas em funerais são contratadas para organizar tudo do início ao fim, auxiliando na escolha das flores, enfeites, tipo de caixão, carro funerário , ônibus para levar os convidados até o crematório, a refeição servida depois da cremação onde fazem um brinde a pessoa desencarnada, os presentes de agradecimento para quem entregar o envelope de contribuição ao velório. O nome deste envelope é kouden e um dos significados dele é a contribuição com a despesa do velório, mas antigamente era ajudar no pagamento das flores e dos incensos.

 * A roupa a ser usada não difere de velório para velório , sempre o preto vestido de forma discreta tanto os homens como as mulheres, essas inclusive não devem usar maquiagem, jóias ou acessórios e a forma de prender o cabelo faz-se de forma que não fique no alto da cabeça e sim mais para baixo perto da nuca e a única jóia permitida e é de praxe o seu uso é o colar e brinco de pérolas. Sapato baixo, salto agulha nem pensar e não pode ser de couro.

Nos velórios assim como em outros tipos de recepção como casamento, existe um envelope ( kouden bukuro ) para que se coloque a doação e o valor mínimo estipulado é de 3.000 yen. O velório é aberto a todos mas a cerimônia de cremação não.

Geralmente na cremação acompanham somente os mais íntimos , é uma cerimônia onde depois da cremação um a um coloca com um pouco de si pegando os ossos que não queimaram na urna junto as cinzas. Um pouco de si porque só participa desse momento quem realmente foi importante na vida da pessoa, quem conviveu mais próximo.

Depois da cremação a urna com as cinzas vai para a casa onde a pessoa morava e depois de 49 dias é levada ao cemitério e neste dia também é chamado o monge. Isso fica muito a critério também da situaçāo das pessoas envolvidas no momento, porque há casos onde a cremação e o depósito da urna no cemitério são feitos no mesmo dia.


Como manda a etiqueta japonesa, em caso de falecimento de algum colega de trabalho  ou de um dos pais do colega ajuda-se com o envelope que gira em torno de 3.000 , 5.000 ou 10.000 depende do grau de amizade. Valores quebrados como 1.500, 2.000 não se usa.

Parece um evento e é. No trabalho no caso da morte de um dos pais o período de folga é de 1 semana, são muitos compromissos , decisões a tomar até o momento da cremação , não se folga , se trabalha e não dorme. Não da tempo para sentar e chorar, até porque sendo uma despedida ao modo budista não há motivo para cair na tristeza e choro. É vida que segue.












9 de maio de 2016

Signos das mães

Imagem/Monica Maeda

As mães de cada signo 


As doze mães do zodíaco resolveram fazer um almoço de Dia das Mães.
A ideia foi da mãe ariana, que mandou mensagem para todas as outras e acabou ficando irritada com a demora nas respostas, quase desistindo de tudo e mandando todo mundo tomar no cu.
A lista dos afazeres ficou na mão da mãe virginiana, que distribuiu os afazeres, fez uma lista detalhada do que levar (e do que não levar) e enviou para o grupo, exigindo confirmação.
A mãe taurina ficou responsável pela comida, exagerando no cardápio super calórico, o que irritou profundamente a mãe capricorniana, que tava numa onda dieta, orgânicos, geração pugliesi, foco, força e fé.
Já a bebida era tarefa da mãe sagitariana, que acabou comprando mais bebida alcoólica do que água e refrigerante. Resultado: a mãe pisciana tomou um porre. Só não deu vexame pq havia chegado atrasada, quase no fim da festa.
A mãe escorpiana quase não foi. Apesar de gostar de muitas delas, odiava algumas. Culpa da mãe geminiana, que havia contado para a amiga o que as outras costumavam dizer sobre ela. Por sorte, a mãe libriana colocou panos quentes em tudo e resolveu o problema.
A festa aconteceu na casa da mãe canceriana, que levou um mês inteiro para deixar tudo como ela queria. Velas, presentinhos, lugares marcados. Ela não queria que ninguém se sentisse menos que as outras. O que não foi possível, já que a mãe leonina fez uma entrada triunfal, usando um vestido caríssimo, salto alto e maquiagem. Trotando, pros cabelos voarem .
A mãe aquariana havia colocado o grupo de WhatsApp no mudo, nem ficou sabendo de nada e não foi.

# Não sei o autor, caso seja teu avise-me por favor para que eu coloque o devido crédito.

4 de maio de 2016

Como separar o lixo no Japão

Separando o lixo

Por sem um país pequeno, estreito e cheio de gente fica difícil ter que dividir espaço com o lixo, não vemos sofá jogado nas calçadas. Eu imagino que a pessoa que coloca um sofá na calçada pensa que os transeuntes precisam sentar a cada 10 passos, ou ele é uma pessoa que não podemos chamar de cidadão.

Cada um aqui é responsável pelo seu lixo, seja ele um papel de bala ou resto de comida, não importa o quê mas sim que é teu e sendo teu o problema não se transfere, se assume. Mesmo dentro de algumas fabricas se não a maioria eu diria, cada um leva o seu lixo para casa com exceção de garrafas e latas compradas em máquinas de bebidas porque ao lado dessas  máquinas tem uma caixa para se jogar a lata ou a garrafa.

Imagem/Monica Maeda

Separando os queimáveis 


A palavra lixo tem um significa extenso para os japoneses, ela vai de reciclável ao queimável e cada cidade tem um calendário para a coleta desses "lixos" e dependendo da cidade o morador é obrigado a colocar o nome e o número da casa ou apartamento no saco de lixo, e o local também é determinado pela prefeitura. O calendário é distribuído gratuitamente nas prefeituras com imagens ilustrativas de como amarrar, que tipo de lixo pode jogar com o quê, que tipo de embalagem devemos usar, se fez o jardim e quer jogar os galhos , na imagem ilustrativa veja como é o procedimento. Quando o "lixo" é grande tipo uma geladeira ou máquina de lavar roupa, deve-se ligar para a prefeitura e agendar dia e horário para a coleta. Aqui a prefeitura organiza literalmente a vida dos moradores para que tudo não saia do seu quadrado.

Ou melhor ainda, podemos despejar nos supermercados também separados por tipo de lixo, e nos mercados podemos jogar o plástico , latas de alumínio , caixas de leite desmontada e embalagens de comida. Tudo que se pode reciclar, reinventar o Japão o faz. Papeis também temos o local de coleta dentro das fábricas onde usamos os dois lados de uma folha A4 e depois a separamos para venda. O material de escritório usado também é reciclável e descartado separadamente. Canetas, cartucho de impressora, lâmpadas queimadas são separados por tipos de lixo e a coleta é separada.

 O jornal para quem é assinante, recebe 1 rolo de papel higiênico para cada monte devolvido. Junta-se jornal de alguns meses colocando numa embalagem fornecida pela distribuidora do jornal, e a mesma vem apanhar essa embalagem na tua casa e deixa um rolo de papel higiênico. Para quem mora sozinho e é assinante de algum jornal comprar papel higiênico é um dos ítens descartáveis de compra.

Imagem/Monica Maeda

Imagem/Monica Maeda


Se por acaso colocar o lixo em local indevido  você ganha um X em vermelho, esse X no Japão significa dame, ou seja, não pode fazer isso, não é permitido. Veja a imagem abaixo.

Imagem/Monica Maeda





Imagem/Monica Maeda


Imagem/Monica Maeda

 Coisas do Japão

Mas nem tudo é espinhos, aliás quando se conhece a civilização não se vê os espinhos. E em dia de chuva quando entramos em restaurantes ou lojas logo na entrada encontramos sacolas plásticas para colocar o guarda-chuva e assim não molhamos o chão do estabelecimento, não emporcalhamos nada e no mesmo lugar que você pega a sacola você a devolve ou se preferir leve para casa porque ela é descartável. 

Aqui fica a dica para que em outros lugares que não o Japão sigam e repassem a idéia para as crianças porque como dizia a minha avó sobre um ditado popular português  " É de pequeno que se torce o pepino " e não se importe se o teu vizinho não faz, ou se ele joga o sofá na calçada, ele é um imbecil mal- educado e provavelmente não esta educando os seus filhos para serem bons cidadãos mas você é diferente, é melhor que isso tudo, é superior. Pense nisso!



1 de maio de 2016

Viajar pelo Japão

Ponto de parada na rodovia paga/Imagem/Monica Maeda

Esta é uma parada para viajantes em uma das rodovias expressas com pedágio. Restaurantes, banheiros, máquinas de bebida, loja de conveniência etc. Fumantes para o lado de fora. 


Imagem/Monica Maeda


Em qualquer lugar que tenha um banheiro público com exceção dos parques, os banheiros não diferem com o da nossa casa em termos de limpeza e comodidade. Pela imagem acima podemos ver que trata-se de um acento sanitário com alguns botões que são eles: o de lavar o bumbum, lavar a .... e o de desligar. Para usar uma das opções deve-se sentar caso contrario não sai água porque o sensor avisa que tem alguém sentado querendo lavar as partes íntimas e se ele entender que não tem ninguém sentado não solta água. 

Para as mães que carregam crianças de colo ainda, a pior parte do passeio é ter que ir até um banheiro se estiver sózinha, e pensando nisto o país disponibilizou espaço e cadeira para as crianças como mostra a imagem abaixo.

Imagem/Monica Maeda


Temos também espaço reservado para cadeirantes, ninguém passa aperto na hora de fazer o número 1 ou o número 2, porque entende-se que a partir do momento que saímos de casa para uma jornada de passeio a única coisa que não podemos ter é stress nessas horas e como o Japão é um lugar relativamente pequeno em relação ao número de habitantes e temos mais idosos que jovens então o número de cadeirantes e/ou pessoas com deficiência de locomoção é maior, e os japoneses não tem férias de 30 dias sobre 12 meses trabalhados, o que temos são 3 feriados nacionais ( ano novo, semana dourada em maio e em agosto o obon que seria o dia de finados) que variam de 3 a 5 dias dependendo se cair no sábado ou domingo. Então nesses dias imaginem que todos saem de casa para ir quase ao mesmo lugar ao mesmo tempo visto a escassez de folga.


Necessidade fisiológica feita lavamos as mãos e secamos as mãos nas máquinas de secar as mãos que parece ter no Brasil e o li recentemente que alguns questionam a praticidade e veracidade desta máquina, parece que falam também sobre se esta tira os germes realmente. O mimimi de sempre, porque germes você deveria ter tirado quando lavou as mãos  e um papel toalha ou o vento não vai tirar sujeira não , o que acontece é que com o uso destas a sujeira que se faz com o uso de papel porque um vem e pegue uma folha, outro pega 3 porque achou pouco 1 e o lixo vai enchendo e ninguém vence limpar um lugar público a casa 2 minutos então dessa maneira economiza-se funcionário , papel, água, detergente, sacos de lixo e não tem que ficar desviando de vassoura na hora de entrar no banheiro.

E torneiras tem para qualquer tamanho, os cadeirantes ou crianças também tem a sua.

Imagem/Monica Maeda

Imagem/Monica Maeda



Mãos lavadas, barriga vazia vamos saborear a comida local e no caso de Aizuwakamatsu a carne de porco é uma das maravilhas e o prato se chama Aizumeibutsu Bandai Katsudon (会津名物 磐梯カツ丼)que consiste em arroz na parte debaixo e a carne de porco frita à milanesa com molho doce por cima, mas essa carne não é qualquer bisteca não, vem quase 300 gramas de carne e acompanha uma sopinha tipo missoshiro. E caso você não consiga comer tudo e queira levar para comer depois em casa o restaurante gentilmente já antecipando o pensamento do cliente em como levar para casa deixa nas mesas a embalagem e a sacola para quem quiser se servir e levar para casa e com isso poupa o funcionário de ter que levar teu prato para dentro e fazer o que você mesmo pode fazer e com isso não vem a dúvida de que será que colocaram mesmo a minha comida ou a comida de outro aqui? Será que este resto era o meu o da mesa ao lado? 

Seria um tipo Fai da te ( faça você mesmo). Lembrando que o Tonkatsu podemos saborear em qualquer parte do Japão e não é uma exclusividade de Fukushima e sim que o Tonkatsu deles tem um sabor e tamanho diferente dos normais.

Imagem/Monica Maeda
Imagem/Monica Maeda

Aqui vai a imagem do restaurante Jyuumon jiya (十文字屋) que eu recomendo para quem for a Fukushima e passar por Aizuwakamatsu, ele fica ao lado de Aizu Mura junto ao estacionamento. 

Imagem/Monica Maeda

Lembrando que a Coluna da Monica não ganha por fazer propaganda mas sim que coisas boas devem ser repassadas adiante, a boa fofoca nós apreciamos.













Quando a culpa é do consumidor

A imagem acima se refere ao e-mail que me foi enviado em 22 setembro 2017 pela eduK em resposta aos e-mails enviados em datas anter...