8 de junho de 2016

Empresárias brasileiras no Japão

A coragem de empreender fora do próprio país


Dekassegui é a definição para os que sairam para trabalhar longe de casa, longe do lugar natal, e é assim que são chamados os estrangeiros  descendentes de japoneses que vieram ao Japão para trabalhar e juntar dinheiro na esperança de retornar ao próprio país. Alguns retornam outros não.

A maioria trabalha em fábrica com horas elevadas de trabalho incluindo turnos no período da noite,  sábados e domingos e  festejar Natal em casa é um sonho. E a vida se faz de sonhos, sem eles não se move, não gera energia, não se vive, não quebramos paradigmas, estagnamos e  apenas sobrevivemos. Enfrentar a barreira do idioma que na falta de um, no alfabeto japonês são três, requer determinação porque ao contrário do inglês que já conhecemos um pouco da escola primária , o nihongo ( língua japonesa ) é algo totalmente desconhecido para a maioria principalmente a escrita.

Com apenas 1 iene é possível  fazer a abertura da empresa. O lado empresarial nasce às vezes por força das circunstâncias , de saber olhar o que falta  no mercado,  das crises do desespero; aliás é na crise que encontramos as melhores saídas. E para falar sobre quem encontrou a melhor saída ou quem acreditou em si e até mesmo quem faz sem a pretensão de algo maior que entrevistamos algumas brasileiras que tiveram a coragem e determinação de abandonar o trabalho em fábrica ou que usou do conhecimento trazido do Brasil para empreender e não pensem que com isso elas se livraram da hora extra, de folgar sábado ou domingo; pelo contrário. 

O que elas fazem? Mostram o Brasil para os japoneses. 


Valéria Harue Ohtsuki / Sendai 
Paciência para ganhar a confiança e uma vez ganha, eles se tornam clientes fiéis. Valéria Harue Ohtsuki 



Valéria vive há 23 anos no arquipélago na região nordeste em Sendai , natural de São Paulo capital e há 18 anos é interprete, faz tradução, voluntariado  e ensina a língua portuguesa para os japoneses. Coordena o Brazil Café Sendai /Miyagi que é um tipo de Cafeteria brasileira ambulante, em parceria com restaurantes, cafeterias e centros internacionais onde  promove festa típica brasileira incluindo sempre o sabor do Brasil.


Ela nos conta que a ideia de ensinar o português para os japoneses surgiu da vontade e necessidade de integrar-se a comunidade japonesa porque sendo Sendai uma região de inverno rigoroso as pessoas tornam-se rigorosas inconscientemente e deve-se trabalhar muito e mostrar serviço e competência para ganhar a confiança deles. Visto que apesar da mentalidade interiorana, o povo de Sendai gosta de americanos, asiáticos e europeus e com poucos brasileiros na região, os eventos que envolvam a cultura brasileira  ficam a cargo dos administradores locais conforme a sua ideia de festa brasileira. Também  nos conta que às vezes se faz necessária  a presença de um japonês para facilitar a abertura do negócio, talvez porque nesta região tenha poucos estrangeiros e Sendai está numa ilha ao lado de tantas outras que formam o país e pela cultura japonesa fechada têm-se que batalhar muito para satisfazer a exigência local. Valéria também é voluntária na reconstrução de Miyagi depois do tsunami de 2011 que devastou a região. E com paciência e determinação ela vem desenvolvendo projetos para apresentar um pouco da cultura brasileira ao povo de Sendai , incluindo a Bossa Nova e o café brasileiro a até mesmo a Festa junina.

Recicla seus conhecimentos através da internet em contato com pessoas que possam agregar em como apresentar um idioma tão diferente e de gramática tão complicada aos japoneses. Um trabalho que envolve divulgar e mostrar que o Brasil não é somente carnaval, futebol e samba.









    Para um sonho não existe o impossível.     
 Telma Yamasaki proprietária do Thelma Hair Shop













Telma Yamasaki natural de Guapiara SP chegou no arquipélago em março de 1990 e na bagagem trouxe a experiência como  cabeleireira . Depois de 6 anos  criou o Thelma Hair Shop no estado de Gunma na cidade de Oizumi onde atende  até hoje e  onde ainda  há uma concentração maior de estrangeiros. Mas não basta somente tesoura e experiência; Telma teve que prestar um exame prático e escrito Federal em língua japonesa para receber o certificado e atuar no país como cabeleireira porque o certificado brasileiro não tem validade no Japão, apesar da facilidade para abrir um negócio na região como pessoa física ou jurídica  com pouca diferença de custo o país exige diploma técnico nacional.



As dificuldades vieram e talvez a que mais exigiu esforço é o domínio do idioma principalmente a escrita, e como está em constante reciclagem a nível profissional participando de cursos e workshops viu que precisava também de um outro idioma , além do nihongo (língua japonesa) foi estudar inglês e hoje se divide entre temporadas de estudos na Califórnia e Japão e assim pode trazer novidades de fora para seus clientes. Enquanto estuda fora conta com uma equipe de profissionais que procuram atender toda a demanda da agenda do salão com a qualidade que o salão  proporciona a seus clientes.


Thelma Hair Shop conta com uma diversidade de opções de tratamento de beleza além do corte, manicure   e tratamento de cabelo. Cursos de maquiagem, tratamento de pele, depilação e tudo o que a mulherada precisa pode-se encontrar num só lugar e por este motivo que Telma esta passando uma temporada fora porque além de continuar atendendo seus clientes para corte de cabelo, design de sobrancelha e outras diversas habilidades ela quer se formar em instrutora de cabelo e maquiagem apesar de já o fazer está buscando qualidade na arte de ensinar. Essa moça não vê barreiras!



Imagem Monica Maeda/ Thelma Hair Shop

Imagem Monica Maeda/ Thelma Hair Shop




Comida é algo que precisamos e se for da terrinha melhor ainda, e pensando nisso a Andrea Suzuki largou o trabalho em fábrica e montou o Bate Papo restaurante brasileiro na cidade de Oyama no estado de Tochigi.

Andrea de Cássia Suzuki Hitomi, natural de São Paulo capital reside há 25 anos no arquipélago  e há 16 montou o Bate Papo Brazilian Restaurant porque queria aumentar a renda para voltar logo para o Brasil, mas passados 16 anos talvez  o retorno esteja longe ainda.

Antes de tudo em qualquer lugar em que estivermos  a paciência, persistência e amor pelo que faz. ( Não é fácil colocar essas palavras em prática). 
                                          Andrea Suzuki 



Aberto de terça a domingo e com cardápio brasileiro o Bate Papo conquistou os japoneses e não somente os estrangeiros que  também fazem parte da clientela do Bate Papo, e Andrea conta que ao início não tinha conhecimento de culinária mas a necessidade a fez descobrir dons que até então desconhecia    e naquela época fazia pesquisas em revistas brasileiras  com ajuda de amigos e contou também com o auxílio da irmã que é nutricionista. Apesar da facilidade em abrir o negócio conta que os impostos pesam.






Yuki Elizabeth Fujita / imagem arquivo pessoal




Tenha sempre o espírito de gratidão por tudo que você conseguiu até hoje e diga sempre que você tem muita sorte. Eu tenho muita sorte!
 Yuki Elizabeth Fujita











A cearense Yuki Elizabeth Fujita  nascida em Fortaleza e criada em Olinda trouxe o calor do litoral do Nordeste brasileiro para a região de inverno rigoroso no nordeste da ilha Honshu na cidade de Sendai. 

Design com formação em Universidade japonesa, depois de 4 anos em teste sobre o que apresentar; Yuki queria apresentar algo do Brasil que muitos japoneses não conhecem e como adora trabalhos manuais   criou a loja Infinity há 11 anos na cidade de Sendai no estado de Miyagi onde faz criações de peças únicas  em pedras e comercializa minerais brasileiros e cosméticos do Japão.

Com a maioria da clientela japonesa, Yuki chama seus clientes pelo nome porque ela entende que isso seja uma forma de fidelizar seus clientes criando um ambiente menos formal mas sempre cordial ( pode soar estranho para o leitor mas no Japão o cliente é chamado de cliente e nunca pelo nome : okyaku sama , senhor cliente ) . 

Procura estar fora do modismo, aprendeu a pedir ajuda e não carregar tudo sozinha e diz que estuda alternativas para surpreender seus clientes e acima de tudo honestidade na hora da venda. Brasileira acostumada a trabalhar em crise e sob pressão , passou pelo terremoto e tsunami em março de 2011, a maior da história do país, ainda não se considera uma pessoa de sucesso ( humildade nipônica ) e diz que está caminhando e tem muito ainda que aprender e desenvolver dentro da sua profissão.







7 de junho de 2016

O que fazemos pelo outros?



Por que santo de casa não faz milagre?


Você tem o que quer ao teu lado e procura longe o que precisa.

Você tem um amigo que faz o mesmo trabalho que um desconhecido faz e você propaga o trabalho do desconhecido.

Você curte as fotos de pessoas que nunca viu na vida porque elas são chocantes mas não curte a foto que o amigo fez com tanto trabalho e disposição mas sem chocar.

Você adiciona mil pessoas na tua rede social mas no hospital somente tua mãe e teu pai te visitarão.

Você despreza o trabalho do pequeno comerciante da tua pequena cidade achando que nunca irá precisar um dia do pequeno comerciante da pequena cidade.

Você dá crédito à notícias inventadas, copiadas e montadas mas não ouve quem te fala a verdade.

Você crê que amigo de verdade é aquele que te ajuda na fofoca e fala o que você quer ouvir .

Você crê que estar ao teu lado é concordar com tudo o que faz e pensa, ignorando assim a vontade alheia.

Você crê que a tua dor é a maior do mundo porque você se acha o mundo.

Você despreza os sinais do Universo de que algo em você precisa melhorar.

Você não sai da igreja porque quer parecer boa pessoa aos olhos de Deus mas carrega no teu coração uma carga de ódio e rancor  infinita.

Você gosta de ouvir mentiras que adoçam o teu ego porque a verdade é difícil de aceitar.

Você gosta de julgar pela aparência mas não se olha no espelho.
Você esquece de quem te ajudou porque você não ajuda ninguém.

Você faz campanha de caridade em rede social mas não faz campanha para ajudar no trabalho de quem está do teu lado.

Você reclama do governo e atira para todos os lados postando e divulgando notícias inventadas e montadas.

Você que reclama da vida, da dor, do vizinho, do chefe, você faz o que para mudar essa situação?

Você aí que leu até o final me fale o que você faz por você mesmo?

Estações de trem em Tóquio

Imagem Monica Maeda/ Estação de trem em Tóquio

Segurança nas estações de trem


Devido ao crescente número de suicidas em estações de trem no Japão e também dos incidentes envolvendo jogar pessoas para debaixo do trem quando este está em movimento, algumas estações de trem contam com estes portões de segurança. Ele é acionado na chegada e partida do trem.


Imagem Monica Maeda/ Trava de segurança estação trem Tóquio

Este portão automático nas estações de trem,  é aberto quando o trem estaciona e na saída é fechado depois que as portas do trem fecham. A preocupação com a segurança dos passageiros fez com que quase todas as estações na região  de Tóquio usem deste dispositivo para coibir e inibir possíveis tragédias que vinham acontecendo ao longo de décadas.




Imagem Monica Maeda/ Escrita em braille 
Para os deficientes visuais foi pensado o sistema de escrita braille. A pontualidade dos trens é a mesma, e efetivamente a segurança foi dobrada depois de casos envolvendo pessoas jogadas para debaixo do trem , outros que se jogam nos trilhos quando o trem se aproxima como o que aconteceu com uma adolescente de 17 anos há duas semanas. A adolescente em depressão achou que seria melhor morrer do que enfrentar os problemas de vida que qualquer mortal possa ter. 

E alguém ai pode estar pensando que a passagem de trem encareceu por causa do novo sistema de segurança, e eu vos digo que não!
Seria uma afronta ao povo pagar pelo erro da minoria, os lucros da empresa servem para isso, para incrementar os serviços. E o povo agradece.

Publicado também no Observatório Geral

1 de junho de 2016

Cat cafe - 猫カフェ

Neko cafe

Cat cafe no Japão

A moda do momento para os apaixonados por gatos no Japão se chama Cat cafe ou Neko cafe ( 猫カフェ) e está tomando conta dos espaços de café. Dezenas de gatos espalhados dentro de uma sala.

Quando a culpa é do consumidor

A imagem acima se refere ao e-mail que me foi enviado em 22 setembro 2017 pela eduK em resposta aos e-mails enviados em datas anter...