Empresárias brasileiras no Japão

A coragem de empreender fora do próprio país


Dekassegui é a definição para os que sairam para trabalhar longe de casa, longe do lugar natal, e é assim que são chamados os estrangeiros  descendentes de japoneses que vieram ao Japão para trabalhar e juntar dinheiro na esperança de retornar ao próprio país. Alguns retornam outros não.

A maioria trabalha em fábrica com horas elevadas de trabalho incluindo turnos no período da noite,  sábados e domingos e  festejar Natal em casa é um sonho. E a vida se faz de sonhos, sem eles não se move, não gera energia, não se vive, não quebramos paradigmas, estagnamos e  apenas sobrevivemos. Enfrentar a barreira do idioma que na falta de um, no alfabeto japonês são três, requer determinação porque ao contrário do inglês que já conhecemos um pouco da escola primária , o nihongo ( língua japonesa ) é algo totalmente desconhecido para a maioria principalmente a escrita.

Com apenas 1 iene é possível  fazer a abertura da empresa. O lado empresarial nasce às vezes por força das circunstâncias , de saber olhar o que falta  no mercado,  das crises do desespero; aliás é na crise que encontramos as melhores saídas. E para falar sobre quem encontrou a melhor saída ou quem acreditou em si e até mesmo quem faz sem a pretensão de algo maior que entrevistamos algumas brasileiras que tiveram a coragem e determinação de abandonar o trabalho em fábrica ou que usou do conhecimento trazido do Brasil para empreender e não pensem que com isso elas se livraram da hora extra, de folgar sábado ou domingo; pelo contrário. 

O que elas fazem? Mostram o Brasil para os japoneses. 


Valéria Harue Ohtsuki / Sendai 
Paciência para ganhar a confiança e uma vez ganha, eles se tornam clientes fiéis. Valéria Harue Ohtsuki 



Valéria vive há 23 anos no arquipélago na região nordeste em Sendai , natural de São Paulo capital e há 18 anos é interprete, faz tradução, voluntariado  e ensina a língua portuguesa para os japoneses. Coordena o Brazil Café Sendai /Miyagi que é um tipo de Cafeteria brasileira ambulante, em parceria com restaurantes, cafeterias e centros internacionais onde  promove festa típica brasileira incluindo sempre o sabor do Brasil.


Ela nos conta que a ideia de ensinar o português para os japoneses surgiu da vontade e necessidade de integrar-se a comunidade japonesa porque sendo Sendai uma região de inverno rigoroso as pessoas tornam-se rigorosas inconscientemente e deve-se trabalhar muito e mostrar serviço e competência para ganhar a confiança deles. Visto que apesar da mentalidade interiorana, o povo de Sendai gosta de americanos, asiáticos e europeus e com poucos brasileiros na região, os eventos que envolvam a cultura brasileira  ficam a cargo dos administradores locais conforme a sua ideia de festa brasileira. Também  nos conta que às vezes se faz necessária  a presença de um japonês para facilitar a abertura do negócio, talvez porque nesta região tenha poucos estrangeiros e Sendai está numa ilha ao lado de tantas outras que formam o país e pela cultura japonesa fechada têm-se que batalhar muito para satisfazer a exigência local. Valéria também é voluntária na reconstrução de Miyagi depois do tsunami de 2011 que devastou a região. E com paciência e determinação ela vem desenvolvendo projetos para apresentar um pouco da cultura brasileira ao povo de Sendai , incluindo a Bossa Nova e o café brasileiro a até mesmo a Festa junina.

Recicla seus conhecimentos através da internet em contato com pessoas que possam agregar em como apresentar um idioma tão diferente e de gramática tão complicada aos japoneses. Um trabalho que envolve divulgar e mostrar que o Brasil não é somente carnaval, futebol e samba.









    Para um sonho não existe o impossível.     
 Telma Yamasaki proprietária do Thelma Hair Shop













Telma Yamasaki natural de Guapiara SP chegou no arquipélago em março de 1990 e na bagagem trouxe a experiência como  cabeleireira . Depois de 6 anos  criou o Thelma Hair Shop no estado de Gunma na cidade de Oizumi onde atende  até hoje e  onde ainda  há uma concentração maior de estrangeiros. Mas não basta somente tesoura e experiência; Telma teve que prestar um exame prático e escrito Federal em língua japonesa para receber o certificado e atuar no país como cabeleireira porque o certificado brasileiro não tem validade no Japão, apesar da facilidade para abrir um negócio na região como pessoa física ou jurídica  com pouca diferença de custo o país exige diploma técnico nacional.



As dificuldades vieram e talvez a que mais exigiu esforço é o domínio do idioma principalmente a escrita, e como está em constante reciclagem a nível profissional participando de cursos e workshops viu que precisava também de um outro idioma , além do nihongo (língua japonesa) foi estudar inglês e hoje se divide entre temporadas de estudos na Califórnia e Japão e assim pode trazer novidades de fora para seus clientes. Enquanto estuda fora conta com uma equipe de profissionais que procuram atender toda a demanda da agenda do salão com a qualidade que o salão  proporciona a seus clientes.


Thelma Hair Shop conta com uma diversidade de opções de tratamento de beleza além do corte, manicure   e tratamento de cabelo. Cursos de maquiagem, tratamento de pele, depilação e tudo o que a mulherada precisa pode-se encontrar num só lugar e por este motivo que Telma esta passando uma temporada fora porque além de continuar atendendo seus clientes para corte de cabelo, design de sobrancelha e outras diversas habilidades ela quer se formar em instrutora de cabelo e maquiagem apesar de já o fazer está buscando qualidade na arte de ensinar. Essa moça não vê barreiras!



Imagem Monica Maeda/ Thelma Hair Shop

Imagem Monica Maeda/ Thelma Hair Shop




Comida é algo que precisamos e se for da terrinha melhor ainda, e pensando nisso a Andrea Suzuki largou o trabalho em fábrica e montou o Bate Papo restaurante brasileiro na cidade de Oyama no estado de Tochigi.

Andrea de Cássia Suzuki Hitomi, natural de São Paulo capital reside há 25 anos no arquipélago  e há 16 montou o Bate Papo Brazilian Restaurant porque queria aumentar a renda para voltar logo para o Brasil, mas passados 16 anos talvez  o retorno esteja longe ainda.

Antes de tudo em qualquer lugar em que estivermos  a paciência, persistência e amor pelo que faz. ( Não é fácil colocar essas palavras em prática). 
                                          Andrea Suzuki 



Aberto de terça a domingo e com cardápio brasileiro o Bate Papo conquistou os japoneses e não somente os estrangeiros que  também fazem parte da clientela do Bate Papo, e Andrea conta que ao início não tinha conhecimento de culinária mas a necessidade a fez descobrir dons que até então desconhecia    e naquela época fazia pesquisas em revistas brasileiras  com ajuda de amigos e contou também com o auxílio da irmã que é nutricionista. Apesar da facilidade em abrir o negócio conta que os impostos pesam.






Yuki Elizabeth Fujita / imagem arquivo pessoal




Tenha sempre o espírito de gratidão por tudo que você conseguiu até hoje e diga sempre que você tem muita sorte. Eu tenho muita sorte!
 Yuki Elizabeth Fujita











A cearense Yuki Elizabeth Fujita  nascida em Fortaleza e criada em Olinda trouxe o calor do litoral do Nordeste brasileiro para a região de inverno rigoroso no nordeste da ilha Honshu na cidade de Sendai. 

Design com formação em Universidade japonesa, depois de 4 anos em teste sobre o que apresentar; Yuki queria apresentar algo do Brasil que muitos japoneses não conhecem e como adora trabalhos manuais   criou a loja Infinity há 11 anos na cidade de Sendai no estado de Miyagi onde faz criações de peças únicas  em pedras e comercializa minerais brasileiros e cosméticos do Japão.

Com a maioria da clientela japonesa, Yuki chama seus clientes pelo nome porque ela entende que isso seja uma forma de fidelizar seus clientes criando um ambiente menos formal mas sempre cordial ( pode soar estranho para o leitor mas no Japão o cliente é chamado de cliente e nunca pelo nome : okyaku sama , senhor cliente ) . 

Procura estar fora do modismo, aprendeu a pedir ajuda e não carregar tudo sozinha e diz que estuda alternativas para surpreender seus clientes e acima de tudo honestidade na hora da venda. Brasileira acostumada a trabalhar em crise e sob pressão , passou pelo terremoto e tsunami em março de 2011, a maior da história do país, ainda não se considera uma pessoa de sucesso ( humildade nipônica ) e diz que está caminhando e tem muito ainda que aprender e desenvolver dentro da sua profissão.







Postagens mais visitadas deste blog

Dia de finados no Japão

Astrologia Karmica